A trajetória de fé, música e missão de um dos maiores ícones da música pentecostal brasileira.
Ezequiel de Matos é uma das figuras mais reverenciadas da música cristã brasileira. Arranjador, compositor, guitarrista e pastor, ele construiu uma carreira marcada pela excelência técnica e profunda espiritualidade.
Sua identidade sonora é inconfundível, moldada pelo uso de guitarras Ibanez com alavanca, criando melodias que remetem a um estilo havaiano e country, marcando gerações desde a década de 1980.
Sua influência foi tamanha que diversos instrumentistas pelo país passaram a adquirir guitarras pretas do mesmo modelo apenas para replicar o seu som característico nos estúdios e igrejas.
Ezequiel nasceu em Imbituva, PR no dia 27 de abril de 1965 e sua história seu funde com o Grupo Reviver que iniciou suas gravações em 1986, em Curitiba, reunindo familiares com um propósito estritamente missionário. Até o ano de 2000, o grupo percorreu o Brasil em longas viagens de ônibus, levando louvor e arrependimento a cidades do interior.
Álbuns lançados em LP e CD, como Sangue Precioso e Novo Lar, tornaram-se hinos inegociáveis nas igrejas pentecostais. Clássicos como Unção de Davi e Brisa Suave ecoam até hoje nos cultos.
A teologia do sangue de Jesus era o centro absoluto de suas composições, refletindo a convicção de que a cruz é a única mensagem capaz de vencer as trevas e frustrar o inimigo.
Mais que um músico brilhante, Ezequiel é um servo exemplar. Sua humildade o impede de tomar para si a glória que pertence exclusivamente a Deus, tratando os elogios como cartas com endereços trocados.
Ele frequentemente ensina que a música técnica não impressiona a Deus, pois o Criador conhece cada defeito e virtude de sua criação. O que verdadeiramente toca o trono celestial é um coração quebrantado. Na década de 1990, ele abriu mão de turnês lucrativas para liderar um projeto social com moradores de rua em Curitiba.
Essa decisão custou financeiramente caro, levando-o a vender seus bens, mas gerou um dos maiores avivamentos de sua vida, com centenas de libertações e um chamado pastoral que redefiniu seu ministério.
Após a pausa das atividades itinerantes do Reviver e os severos desafios da pandemia, que transformou o mercado fonográfico cristão, Ezequiel assumiu o púlpito e as salas de aula.
Hoje, ele dedica-se a seminários de música, pastoreando músicos e ensinando que o profissionalismo e a santidade caminham juntos.
Ele combate a ideia de que a excelência artística é carnal, provando que a dedicação musical é uma forma de santificação e serviço ao Reino.
Seu legado ultrapassa as notas musicais, residindo no coração quebrantado de quem entende que a verdadeira arte cristã é um ato de adoração.
Ezequiel continua firme, mostrando que o controle da carreira pertence a Deus e que o maior sucesso é ver vidas transformadas pelo poder do evangelho, inspirando novas gerações a tocarem com a alma e a viverem o verdadeiro propósito da música gospel.
Por jornalista Márcio Batista
Foto: (Ezequiel de Matos / Facebook) Reprodução / Divulgação
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